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segunda-feira, 10 de maio de 2021

A bicicleta e a pandemia

A bicicleta é mais viável nos momentos de crise por ser bem mais barata, se enquadram na recomendação da OMS e são mais seguras que encarar as aglomerações nos transportes públicos coletivos.

O jornalista Hendrik Aquino nunca viu tanta bike na rua.
Colaboração de texto e foto: Hendrik Aquino
 
São Tomé ficou conhecido como o apóstolo que só acreditou após ver, daí surgiu a frase: “Só acredito, vendo”. A dúvida, pode nos favorecer em muitos momentos, permitindo-nos, por exemplo, buscar mais informações antes de tomarmos uma decisão importante. No entanto, muitos de nós, acaba perdendo grandes oportunidades por não acreditar no que está diante dos nossos olhos.
 
É o caso das bicicletas. Após perceber o quanto elas são importantes no planejamento urbano, passei a vê-las com mais frequência e em todos os lugares. Quando se fala em esporte, lá está ela. Quando se fala em lazer, saúde, meio ambiente, mobilidade, turismo, educação e em diversos outros temas, a bicicleta está presente podendo desempenhar até um papel de destaque.
 
Há mais de um ano, o que mais se fala, em todos os veículos de comunicação é sobre a... pandemia, causada pelo Covid-19 e as medidas restritivas para se evitar a contaminação. Diante do cenário inédito em todo o planeta, muitas empresas estão fechando, trabalhadores perdendo os seus empregos, pessoas morrendo e grande parte dos segmentos enfrentando uma grave crise econômica. O ano de 2020 foi quase que completamente “perdido” para boa parte do comércio diante de tantas dificuldades, no entanto, eis que surge, mais uma vez, a bicicleta, com um aumento de 50% nas vendas de 2020 em comparação a 2019**. Mas como assim? Como pode a bicicleta ter um aumento tão expressivo em vendas no mesmo ano em que a economia entrou em crise e pegou a todos de surpresa? A resposta é simples: A bicicleta é mais viável também nos momentos de crise. Bem mais barata para ser comprada e mantida que um automóvel ou uma motocicleta, a “magrela”, como também é chamada, se enquadra na recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto ao distanciamento e ampliou a sua participação como meio de transporte, pois as pessoas se sentiram mais seguras, devido a menor quantidade de automóveis circulando nas ruas e, até mesmo, optaram por pedalar em vez de encarar as aglomerações nos transportes públicos coletivos. A bike também merece destaque no quesito saúde. Diante de tantas notícias sobre o assunto, muitas pessoas lembraram da velha recomendação médica sobre praticar atividades físicas. Como se não bastasse, a bicicleta está dando também uma significativa contribuição na geração de emprego e renda, sobretudo no trabalho por delivery, influenciando assim o crescimento do mercado de bicicletas no Brasil.
 
São tantos os benefícios gerados pelas bicicletas que a Organização das Nações Unidas (ONU) criou uma força tarefa para garantir a sua continuidade nas cidades europeias, incentivando a mobilidade ativa e transformando propostas em políticas públicas, adequando o planejamento urbano acolhendo os ciclistas e pedestres para que utilizem de maneira mais segura as ruas e os demais espaços públicos.
 
Em Lauro de Freitas, na Bahia, um passo importante já foi dado com a criação da Lei 1.892/2020, que destina o percentual de 5% da receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito para a implantação e sinalização exclusivamente voltada aos ciclistas. Quando implementada, a medida ampliará a segurança dos que já pedalam, incentivando o aumento do uso da bicicleta, elevando o desenvolvimento da cidade com a geração de emprego e renda, além de um novo status em relação tanto ao conceito de modernidade como de sustentabilidade.
 
É possível acreditar nas possibilidades de desenvolvimento sustentável para as cidades. Só não vê quem não quer.
 
* Hendrik Aquino é designer e jornalista, pós-graduado em planejamento urbano e gestão de cidades.
** Levantamento realizado pela Aliança Bike.
 

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