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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Remadores e velejadores do RJ e ES que saíram de Arraial D´Ajuda se aproximam de Niterói

Seis remadores e velejadores do RJ e ES saíram no dia 24 de Arraial D´Ajuda (BA) e planejam finalizar uma das maiores expedições em torno dos dias 9 e 10.

Tripulação em Regência com grupo de salvavidas.
Colaboração de texto e  foto: Fabrizzio Gallas/Gallas Press
 
Depois de passarem a virada do ano em Regência, ao norte do Espírito Santo, a 4ª edição da Expedição Anamauê segue para Niterói, no Rio de Janeiro. Eles saíram no último dia 24, da sede da Canoa Polinésia Pataxó, em Arraial D´Ajuda, no sul da Bahia, com destino a praia de Jurujuba, na base do Centro de Estudos do Mar (CEM), em Niterói, onde planejam chegar entre os dias 9 e 10.
 
Seis remadores e velejadores - três do estado do RJ e o restante do ES - já percorreram mais de 650 milhas nauticas, cercade 1.000km. Alguns ajustes foram feitos no planejamento como conta o niteroiense Douglas Moura: "Tivemos uma frente fria no domingo, dia 3, na região sul do ES, então nosso planejamento é ficarmos mais um dia lá e seguir uma perna maior para Marataízes ao invés de pararmos em Guarapari. Depois nosso planejamento é seguir para São João da Barra (RJ) e aí cruzamos o Cabo de São Thomé (região de Campos) que é o grande desafio de nossa navegação onde precisamos cruzar na hora certa, é um jogo de xadrez muito importante pra gente aquela região. Depois iremos para Macaé, Arraial do Cabo e estamos planejando ir direto de Arraial do Cabo para Niterói no que seria nossa maior navegação e milhagem náutica. Seria mais três dias no Espírito Santo e mais três até quatro dias no litoral do Rio de Janeiro", detalhou.
 
Dos nove dias de expedição até aqui, eles navegaram e remaram em sete deles. O primeiro destino foi a praia de Corumbau, no município de Prado (BA), depois desembarcaram na praia do Prado (BA). Condições ruins impediram que a tripulação saísse no dia 26. No dia 27 foram para Nova Viçosa navegando e remando por 80km. Na segunda-feira tiveram que abortar a chegada na divisa com o Espírito Santo por uma tempestade e desembarcaram na praia de Mucuri, a Costa Dourada. O último trajeto antes da virada do ano foi até Regência, o maior deles com 100km onde aportaram na base da Canoa Polinésia Pataxó, comandada por Ranin Thomé, um dos líderes da 4ª Expedição Anamauê.
 
"Nesses dias tivemos que lidar com embarques e desembarques bem complicados no sul da Bahia na Costa Dourada e na entrada da Barra Nova que veio testando as habilidades da tripulação em tomadas de decisão e habilidades técnicas ao longo de todos os anos que temos de mar", apontou Ranin.    
 
O trajeto é inédito percorrendo o litoral sul da Bahia, todo o litoral do Espírito Santo, Norte, Região dos Lagos no Rio de Janeiro com previsão de chegada final é entre os dias 9 e 10. Os tripulantes estão dias inteiros no mar sem o auxílio de equipamentos eletrônicos, apenas bússola e carta náutica.
 
Ela está sendo feita por intermédio de uma canoa havaiana V6 adaptada com duas velas que ficou pronta em parceria com a CORE VA´A.
 
A expedição pode ser acompanhada pelo aplicativo SPOT pelo link https://maps.findmespot.com/s/FZ3J e também pelo instagram da equipe @anamauevaa com fotos, vídeos e stories.
 
 
Os atletas estão levando seus mantimentos e equipamentos de dormir para quando não tiverem abrigo poderem dormir nas praias  mais remotas pelo litoral.
 
Confira a programação do trajeto dos remadores e velejadores:
 
Dia 24/12  Arraial D´Ajuda - Ponta do Corumbaú (BA): 30 milhas náuticas
Dia 25/12 Ponta do Corumbau (BA) - Prado (BA): 30 milhas
Dia 26/12 - Sem navegação - Condições ruins do mar
Dia 27 Prado (BA) - Nova Viçosa (BA)
Dia 28  Nova Viçosa (BA) - Mucuri (BA)
Dia 29  Mucuri (BA) - Barra Nova (ES): 30 Milhas Náuticas
Dia 30/12 Barra Nova - Regência (ES) : 54 Milhas Náuticas
02/01 Regência (ES) - Vitória (ES): 40 Mn
9º Dia - Vitória (ES) - Marataízes (ES):  55 Mn
10º Marataízes (ES)  Barra de São João (RJ): 35 Mn
11º São João da Barra (RJ) Campos (RJ): 30 Mn
12º Campos (RJ)  Macaé (RJ): 35 Mn
13º Macaé (RJ) Arraial do Cabo (RJ): 55 Mn
14º Arraial do Cabo (RJ) Niterói (RJ): 65 Mn
 
 
Tripulação:
Douglas Moura, natural de Niterói (RJ), mora em Jurujuba, tem 39 anos, fundador do Icarahy Canoa Clube, Niihau Aventuras Controladas e do Centro de Estudos do Mar. Capitão Amador, co-fundador do Anamauê e desbravador de diversas rotas de navegação de canoa havaiana e polinésia. Ele é atleta de Canoa Havaiana desde 2005. Em competição disputou provas como a Rio VA`A, Santo Amaro, Vendee VA`A (maior da europa e 2ª maior do mundo, na França), Vancouver Island Challenge (Canadá); Lotus VA`A Challenge.
 
Ranin Thomé, 31 anos, natural de Regência (ES), é oceanógrafo, instrutor e atleta de Va´A, do clube CPP Extreme. Apaixonado por canoa polinésia e com experiência em velejadas, construção de canoas e longas travessias.
 
Dayana Gualberto, de 33 anos, reside em Regência (ES) . Professora e instrutura de Va´A do CPP Extreme . Idealizadora do projeto social Cablocos para o Planeta , experiências em travessias de vela oceânica e canoa polinésia.
 
Tavo Calfat, natural de Niterói (RJ), 47 anos, desenhista industrial, velejador desde os sete anos e remador de canoa desde os 2007. Passou boa parte da vida em barcos à vela, já realizou travessias oceânicas e inúmeras travessias menores. Na canoa tem títulos na Volta de Ilhabela (SP) e Rei de Búzios (RJ) onde mora hoje em dia.
 
Daniel Gomez Gnone, 25 anos, natural do Rio de Janeiro. Engenheiro de Produção. Fundador do Granolas Mauka e remador do Calango Wa´A. Amante da natureza e do Va´A, tendo sido criado em contato com o mar, desenvolve projetos de reciclagem de plástico para a produção de peças para navegação.
 
Barbara Guimarães, de 29 anos, nasceu em Sto. André (SP), se radicou e, Vitória (ES), é oceanógrafa, instrutora e atleta de Va´A, do clube CPP Extreme . Apaixonada por canoa havaiana e com experiência de longas travessias.
 
Sobre a Canoa Havaiana
 
Canoa Havaiana ou Polinésia, são nomes para determinar o esporte que surgiu na região polinésia e que originalmente é conhecido como Va´A, Wa´A ou Waka. A cultura da canoa existe há mais de 3 mil anos e elas foram inicialmente usadas pelos povos polinésios com a necessidade de colonizar novas terras na região polinésia, conjunto de ilhas do Pacífico que incluem Tahiti, Havaí. 
 
Os povos polinésios usavam canoas como meio de transporte entre as ilhas e cada povoado construía suas canoas com características locais. No Havaí, que possui mar agitado, as canoas possuem curvatura de fundo envergada, e no Tahiti, as canoas possuem formato mais alongado e cockpit fechado.
 
No Brasil a cultura da prática do esporte da canoa havaiana ou polinésia só aumenta no decorrer dos anos para travessias, expedições e competições com destaques para clubes de canoas no litoral do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Somente em Niterói (RJ) são 33 clubes de canoa com cerca de dois mil remadores. No Espírito Santo são 21 clubes, cerca de 1.500 remadores.
 

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