» » O empoderamento do Rio Sapato

Com cerca de 190 mil habitantes amontoados em 57 quilômetros quadrados, tendo aproximadamente 3 mil e 200 habitantes em cada um destes quilômetros, o município de Lauro de Freitas tem graves problemas de saneamento básico.

Por: Miguel Brusell
Foto: Gabriela Simões

A solução está a caminho. Ou pelo menos, metade da solução. Em 30 de Abril de 2010, o então Governador, Jaques Vagner assinou um contrato que garantia a construção do Sistema de Esgotamento Sanitário (SES) de Lauro de Freitas, obra orçada em R$ 170 milhões e que iria solucionar, definitivamente, o problema da falta de saneamento nos bairros do centro e da periferia da cidade.

O novo sistema seria integrado ao Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (Emissário Submarino da Boca do Rio), por meio da construção do Interceptor da Paralela, beneficiando cerca de 469 mil pessoas de Lauro de Freitas e entorno. A outra metade do problema seria resolvido pela população que teria que ligar os esgotos das suas casas ao SES, do Governo do Estado.

Segundo informações apuradas nos sites da Embasa e da Conder, a obra atrasou, no início, devido à diversos adendos que a construtora queria incluir, elevando o custo inicial do projeto na justiça, mas, atualmente, esta andando num bom ritmo, apesar de ainda não ter prazo para a conclusão. Devido aos problemas na justiça, a obra demorou para começar e o Governo teve que fazer outra licitação em 2013 para o seu início.

População finge que o problema é só do Governo

Os rios como solução para esgotamento sanitário.
Como as pessoas não podem esperar que o Governo do Estado se acerte com as construtoras, para fazer as suas necessidades fisiológicas, uma questão surgiu:  Para onde canalizar todo o esgotamento sanitário da Região Metropolitana de Lauro de Freitas, uma das populações urbanas que mais crescem no Estado e que deve crescer ainda mais quando o Metrô chegar.

Naturalmente, a população enxergou o manancial hídrico da região, formado principalmente, pelos Rios Ipitanga e Sapato e a Lagoa da Base, entre outros, como a solução mais fácil para o seu esgotamento sanitário. Se posso canalizar para o rio e para a lagoa, porque vou gastar dinheiro com uma fossa? Ainda mais, o Governo tem um projeto que vai canalizar todo o esgotamento sanitário para o emissário de Salvador.



Como uma bomba relógio que tem previsão de explodir no próximo período das chuvas, a maioria da população de Lauro de Freitas faz de conta que o problema não é dela. O problema é do Governo. Enquanto isto, o esgotamento sanitário de boa parte da população se acumula em um local que um dia foi uma lagoa, a Lagoa da Base.

A Lagoa da Base Aérea de Salvador. Quando o próximo período de chuvas chegar, todo o esgoto acumulado na Lagoa da Base vai inundar a própria Base Aérea de Salvador e a região entorno do Aeroporto Internacional Luiz Eduardo Magalhães.

A Lagoa da Base pra baixo do tapete

Como a população finge que o problema de esgotamento sanitário não é dela, para solucionar, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER) aprovou uma obra, nas áreas de entorno do rio Sapato e da Lagoa da Base, que vai resolver apenas os problemas do Governo do Estado: os alagamentos no próximo período das chuvas.


As intervenções consistem na reversão da drenagem da Lagoa da Base e da Rua da Irmandade para o Rio Sapato, que será desassoreado, além da implantação da nova rede de drenagem. Com recursos para fazer drenagem de água da chuva, a Conder quer reverter todo o esgoto sanitário acumulado na Lagoa da Base para o Rio Sapato, que deságua no Rio Joanes que, por sua vez, deságua entre as praias de Buraquinho e Vilas do Atlântico.

Link para assinar Petição Pública.

O empresário César Paladine.
Esta solução está gerando o protesto e culminou com a criação de grupos de surfistas, banhistas, pequenos empresário e moradores que não querem reverter o conteúdo do Rio Sapato sem tratamento. "Eles querem acrescentar, a um rio que já está todo degradado, mais poluição. Eles afirmam que vai haver uma operação de tratamento desta água, mas isso não acontece. Eles estão viabilizando primeiro trazer este esgoto para depois limpar a água. O nosso protesto é para que a água só seja despejada aqui depois de tratada. O rio está completamente degradado e o protesto é para a gente sinalizar isto aqui", revela o empresário César Paladine.

A iniciativa tem o objetivo de chamar a população e frequentadores para a discussão do problema. "É uma ação que se propões a chamar atenção para a comunidade que frequenta as praias, daqui de Lauro de Freitas, que esta situação tem que ser debatida, dialogada com os moradores e o poder público tem que promover este processo de diálogo, para a gente encontrar as melhores formas", acredita o morador local e Biólogo, Rodrigo Pacheco.

Sobre os autores:

Gabriella Simões fez Fotografia Digital no Sesc e é associada a Arfoc/Brasil através da Arfoc/BA. Miguel Brusell é formado em Comunicação Social na UFBA, tem pós em Gestão de Informações para Multimeios na FTC e bloga desde 2003.
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