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Sul-africano deixou o brasileiro em terceiro lugar e bateu o australiano Joel Parkinson na decisão para entrar na briga do título mundial. No Swatch Women´s Pro, Tyler Wright ganhou a final australiana com Stephanie Gilmore.

O sul-africano Jordy Smith estava concentrado.
Colaboração de texto: João Carvalho/©WSL
Colaboração de foto: Rowland/Kirstin/©WSL

O sul-africano Jordy Smith, 28 anos, barrou o brasileiro Filipe Toledo, 21, nas semifinais e repetiu sua vitória de 2014 no Hurley Pro at Trestles, derrotando o australiano Joel Parkinson, 35, na bateria que fechou a etapa norte-americana do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour em San Clemente, na Califórnia. Ele agora passa a ter chance matemática de brigar pela ponta do ranking na próxima etapa, com Gabriel Medina, 22, defendendo o título do Quiksilver Pro France, de 4 a 15 de outubro em Hossegor. O havaiano John John Florence, 23, vai competir de novo com a lycra amarela do Jeep WSL Leader e o brasileiro tirou a segunda posição do australiano Matt Wilkinson, 27, nos Estados Unidos.


O sul-africano Jordy Smith .
"Eu tive realmente uma boa prancha nos meus pés neste evento e vim para cá com a mente aberta, atenta a tudo", destacou Jordy Smith. "Eu perdi essa etapa no ano passado (estava contundido), quando as ondas estavam ótimas, então eu só queria mesmo me concentrar bateria a bateria. Eu assisto o Joel (Parkinson) ao longo da minha carreira e ele é um dos meus surfistas favoritos. Eu estou muito feliz, me sentindo na Lua com essa vitória sobre ele".

Joel Parkinson.
O campeão foi impecável na escolha das ondas de 3-4 pés no mar muito inconsistente da quarta-feira em Lower Trestles, com poucas séries entrando nas baterias. Ele pegou as melhores contra Joel Parkinson para mostrar sua variedade de manobras usando a borda da prancha. O australiano só conseguiu surfar duas boas que renderam notas 8,43 e 6,93 com seus longos arcos e grandes manobras nas direitas. Já Jordy Smith, que mora em San Clemente, achou a vala e pegou seis ondas, ganhando 8,17 na terceira, 7,40 na seguinte e 7,53 na quinta, que depois foi trocada pelo 7,63 da última que surfou para sacramentar a vitória por 15,80 a 15,36 pontos e faturar o prêmio de 100 mil dólares do Hurley Pro at Trestles.


Tanner Gudauskas.
"Eu me apaixonei por essa onda e por esta cidade em 2004 (quando venceu a etapa de Trestles)", contou Joel Parkinson, que festejou seu melhor resultado no ano e nas semifinais barrou o local de Trestles, Tanner Gudauskas, por uma pequena diferença de 14,43 a 14,33 pontos. "Este ano foi outro ano maravilhoso em Trestles para mim e estou realmente feliz por estar de volta ao pódio, pois o último tinha sido em 2014 na África do Sul. Eu estava muito motivado e ansioso também para conquistar outra vitória aqui, mas o Jordy (Smith) é um surfista incrível e tenho que dar os parabéns para ele, que é forte candidato ao título mundial".

Saída do Brasil - Sem previsões de melhores ondas até domingo, quando termina o prazo da etapa norte-americana, as finais aconteceram num mar muito irregular na quarta-feira, com longas calmarias. Na semifinal entre dois surfistas que moram em San Clemente e conhecem bem a praia de Lower Trestles, Filipe Toledo não conseguiu surfar nenhuma onda boa. Pegou uma até fraca no início, mas fez o melhor aéreo do campeonato para tirar 8,33 dos juízes numa única manobra. Jordy Smith deu o troco com seu "power surf", usando a borda da prancha para abrir grandes leques de água e começar com nota 8,00.

O aéreo de nota 8,33, não foi suficiente para Filipe Toledo .
O brasileiro, ao invés de esperar a série, pega outra mais rápido para conseguir 6,17 e abrir 6,51 de vantagem sobre o sul-africano. As séries demoravam bastante para entrar e a outra só surgiu há 8 minutos do fim da bateria. Como Filipe tinha desperdiçado a prioridade em uma onda que só lhe rendeu pou mais de seis pontos, Jordy Smith tinha a prioridade de escolha da onda e pegou a melhor direita da bateria e que abriu uma parede limpa para ele fazer várias manobras com força e velocidade e ganhar nota 9,23. Com ela, assumiu a ponta nos 7 minutos finais da bateria.


Infelizmente, esta série só teve uma onda. Filipe, depois de desperdiçar a prioridade e uma onda fraaca, teve que esperar a próxima para surfar e que seria decisiva para ele tirar uma nota excelente, 8,91 no mínimo. No entanto, não entrou mais nada e Filipe Toledo não teve como tentar a vitória. Ele terminou em terceiro lugar no Hurley Pro at Trestles, como no ano passado, quando perdeu a semifinal brasileira com Adriano de Souza e agora o sul-africano venceu por 17,23 a 14,50 pontos.

"Eu tive alguns erros na bateria, como na onda que o Jordy (Smith) foi numa direita e eu entrei na esquerda, que era fraca, em vez de ter ficado com a prioridade (de escolha da próxima onda)", disse Filipe Toledo. "Eu acho que esse erro foi fatal pra mim, porque não tinham muitas ondas, mas estou feliz pelo terceiro lugar. É sempre uma sensação muito boa você estar no último dia, mas é claro que eu gostaria de ter ido pra final. Mesmo assim, foi mais um bom resultado e já estou ansioso para que chegue logo a etapa da França".

O sul-africano Jordy Smith.
"O Filipe é um dos melhores do mundo em aéreos e ele fez um ali incrível, mas procurei manter a calma para selecionar bem as ondas porque o mar estava muito inconsistente, com poucas séries entrando na bateria", disse o sul-africano Jordy Smith, sobre o duelo com Filipe Toledo, que subiu da 17ª para a 11ª posição no ranking, uma acima do atual campeão mundial Adriano de Souza, que não passou nenhuma bateria na Califórnia e caiu do sétimo para o 12º lugar na classificação geral das oito etapas completadas nos Estados Unidos.

Vitórias brasileiras - Restam três para decidir o campeão mundial da temporada, todas vencidas por brasileiros no ano passado. A próxima é o Quiksilver Pro France, que Gabriel Medina já ganhou duas vezes. E as outras duas foram encerradas com finais verde-amarelas. Num verdadeiro show de aéreos, Filipe Toledo derrotou o potiguar Italo Ferreira na decisão do Moche Rip Curl Pro, que acontece entre os dias 18 e 29 de outubro em Peniche, Portugal. Depois, o Billabong Pipe Masters, que já consagrou dois campeões mundiais do Brasil e no ano passado coroou Adriano de Souza com o título na decisão contra Gabriel Medina, fecha a temporada nos dias 8 a 20 de dezembro em Banzai Pipeline, no Havaí.

A australiana Tyler Wright.
Swatch Women´S Pro - Também faltam apenas três etapas para definir a campeã mundial de 2016 e a australiana Tyler Wright abriu uma enorme vantagem de 7.250 pontos com a sua quarta vitória na temporada. A hexacampeã mundial Stephanie Gilmore chegou a surfar a melhor onda da bateria final, mas faltou outra para somar com esta nota 9,13, pois Tyler Wright computou duas na casa dos 8 pontos para ganhar por 17,13 a 15,13.

"Eu sabia que tinha que surfar as melhores ondas para enfrentar a Steph (Stephanie Gilmore) na final. Ela é uma inspiração para mim e sou fã do surfe dela desde criança", disse Tyler Wright. "Eu coloquei um objetivo neste ano, que é ganhar cada bateria e toda final que eu disputar, então será assim também nos próximos eventos. Estou trabalhando muito forte e acho que tenho o melhor time do mundo comigo. Eu já estive na briga pelo título mundial antes e dessa vez me sinto muito diferente, bem mais confiante, mas ainda temos algumas etapas pela frente e não vejo a hora de competir na próxima (em Portugal)".


Stephanie Gilmore.
Para chegar na final, a líder do ranking derrotou a americana Sage Erickson no primeiro duelo da quarta-feira em Lower Trestles e Gilmore foi fantástica no confronto australiano com Nikki Van Dijk. A hexacampeã mundial surfou duas ondas de forma incrível que valeram notas 9,50 e 9,10 para totalizar 18,60 pontos de 20 possíveis. Com o vice-campeonato, Steph subiu de sétimo para quinto no ranking, mas não tem chances de brigar pelo título mundial esse ano.




Tyler Wright e Stephanie Gilmore.
Com a vitória no Swatch Women´s Pro e a eliminação precoce da vice-líder em nono lugar na Califórnia, Tyler Wright deu um importante passo para conquistar o seu primeiro troféu de campeã na World Surf League. O próximo desafio será em Portugal, o Cascais Women´s Pro de 24 de setembro a 2 de outubro no Estoril. A vantagem da australiana ficou tão grande que ela só perde a lycra amarela do Jeep WSL Leader se não passar nenhuma bateria em Portugal e a americana Courtney Conlogue ainda tem que vencer o campeonato para ultrapassa-la.


O Hurley Pro e Swatch Women´s Pro foram transmitidos ao vivo de Lower Trestles pelo www.worldsurfleague.com com divulgação também dos parceiros de mídia da World Surf League: ESPN, Globosat e Sportv no Brasil, Fox Sports da Austrália, CBS Sports dos Estados Unidos, Edgesport, Sky NZ, Canal + Deportes, Channel Nine, MCS, Starhub e Oceanic Time Warner Cable 250 & 1250 no Havaí.

RESULTADOS DO ÚLTIMO DIA DO HURLEY PRO at TRESTLES:
Campeão: Jordy Smith (AFR) por 15,80 pontos (notas 8,17+7,63) - US$ 100.000 e 10.000 pontos
Vice-campeão: Joel Parkinson (AUS) com 15,36 pontos (8,43+6,93) - US$ 50.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS - 3º lugar com 6.500 pontos e US$ 25.000 de prêmio:
1ª) Jordy Smith (AFR) 17.23 x 14.50 Filipe Toledo (BRA)
2ª) Joel Parkinson (AUS) 14.43 x 14.33 Tanner Gudauskas (EUA)

FINAL DO SWATCH WOMEN´S PRO:
Campeã: Tyler Wright (AUS) por 17,13 pontos (notas 8,63+8,50) - US$ 60.000 e 10.000 pontos
Vice-campeã: Stephanie Gilmore (AUS) com 15,13 pontos (9,13+6,00) - US$ 30.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS - 3º lugar com 6.500 pontos e US$ 18.250 de prêmio:
1ª) Tyler Wright (AUS) 14.60 x 14.17 Sage Erickson (EUA)
2ª) Stephanie Gilmore (AUS) 18.60 x 14.60 Nikki Van Dijk (AUS)

TOP-22 DO JEEP WSL RANKING - após a oitava etapa em Trestles:
1º) John John Florence (HAV) - 41.650 pontos
2º) Gabriel Medina (BRA) - 37.450
3º) Matt Wilkinson (AUS) - 36.500
4º) Jordy Smith (AFR) - 35.200
5º) Kelly Slater (EUA) - 29.650
6º) Joel Parkinson (AUS) - 28.200
7º) Adrian Buchan (AUS) - 27.950
8º) Italo Ferreira (BRA) - 25.750
9º) Julian Wilson (AUS) - 25.700
10) Kolohe Andino (EUA) - 25.650
11) Filipe Toledo (BRA) - 25.450
12) Adriano de Souza (BRA) - 25.400
13) Mick Fanning (AUS) - 25.200
13) Michel Bourez (TAH) - 25.200
15) Josh Kerr (AUS) - 24.200
16) Sebastian Zietz (HAV) - 22.000
17) Caio Ibelli (BRA) - 21.700
18) Wiggolly Dantas (BRA) - 20.650
19) Stu Kennedy (AUS) - 17.200
20) Nat Young (EUA) - 17.150
21) Kanoa Igarashi (EUA) - 16.250
22) Jadson André (BRA) - 15.750
--------outros brasileiros no ranking:
23) Miguel Pupo (BRA) - 14.950 pontos
29) Alejo Muniz (SC) - 12.500
30) Alex Ribeiro (SP) - 9.950
39) Bruno Santos (RJ) - 5.200
44) Deivid Silva (SP) - 1.750
44) Marco Fernandez (BA) - 1.750
44) Lucas Silveira (RJ) - 1.750
48) Bino Lopes (BA) - 500

TOP-10 DO JEEP WOMEN´S RANKING - após a sétima etapa em Trestles (EUA):
1ª) Tyler Wright (AUS) - 53.450 pontos
2ª) Courtney Conlogue (EUA) - 46.200
3ª) Carissa Moore (HAV) - 42.500
4ª) Tatiana Weston-Webb (HAV) - 38.450
5ª) Stephanie Gilmore (AUS) - 37.300
6ª) Johanne Defay (FRA) - 35.600
7ª) Malia Manuel (HAV) - 33.500
8ª) Sally Fitzgibbons (AUS) - 33.200
9ª) Sage Erickson (EUA) - 28.550
10) Laura Enever (AUS) - 25.700


Sobre os autores:

Gabriella Simões fez Fotografia Digital no Sesc e é associada a Arfoc/Brasil através da Arfoc/BA. Miguel Brusell é formado em Comunicação Social na UFBA, tem pós em Gestão de Informações para Multimeios na FTC e bloga desde 2003.
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