Morro esconde algumas das melhores direitas do Brasil - EsporteNaRede

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Morro esconde algumas das melhores direitas do Brasil

Diferente do que muitos surfistas pensam, o litoral baiano não se limita a Salvador e a região de Itacaré quando o assunto é boas ondas. Para escapar de uma crowd absurda e encontrar longas direitas, um destino pouco procurado em surf trips é o Morro de São Paulo.

Colaboração de texto e foto: César Rocha

Trata-se de uma ilha localizada a cerca de 300 quilômetros da capital, muito procurada por turistas de todo o Brasil, europeus e claro, argentinos. Se você tem interesse em surfar ondas de qualidade, conhecer a cultura histórica nacional e, acima de tudo, curtir um lugar paradisíaco, preste atenção nas dicas que seguem abaixo.

Vá no inverno

Como em todo lugar do mundo, a época em que rolam as melhores ondas é durante o inverno. Caso opte pelo verão, é provável que passe semanas vendo somente marolas quebrarem. Não se preocupe com o frio, a temperatura permanece nas casa dos 30ºc. A água é quente. Uma lycra é o bastante para dias com vento. Roupas de borracha podem ficar em casa.

A viagem pode ser cansativa, mas vale a pena

Existem diversas opções para se chegar ao morro. A primeira, mais rápida, mais fácil, mas também mais cara, é ir de avião. Do aeroporto de Salvador é possível embarcar em um transfer aéreo que te levará ao destino em menos de uma hora. O valor é R$ 370.

As opções mais acessíveis e realistas são as viagens semi terrestres ou de catamarã. No próprio aeroporto existem empresas que vendem o translado por pouco mais de R$ 100. Isso implica em uma jornada que pode levar de três a cinco horas entre van, barcos, taxis... Dependendo das condições marítimas, é possível embarcar no catamarã em frente ao Mercado Modelo e desembarcar direto no morro. Desta forma, a duração da viagem cai para duas horas.

Pousadas são as melhores opções

São inúmeros os tipos de acomodações na ilha, de todos os preços. As pousadas são a maioria. É possível encontrar locais que cobram cerca de R$ 100 a diária, com café da manhã incluso. Em lugares mais afastados da Primeira e Segunda Praia encontram-se opções mais baratas e até mesmo campings.

Prepare-se para caminhar

Não existem carros, motos ou ônibus na ilha. Você terá que caminhar, e bastante. Por ser um morro, existem diversas escadarias, principalmente na vila, onde encontra-se o "centrinho" da região. Logo de cara, após desembarcar na entrada da cidade, você vai se deparar com uma subida deveras íngreme. Por cerca de R$ 10 é possível pagar pelo transporte da bagagem em um carrinho de mão "pilotado" pela galera local. Vale a pena. Neste mesmo momento de desembarque é cobrado uma taxa de R$ 16 aos turistas, que, segundo a prefeitura, é destinada à preservação ambiental. 

A comida é cara, mas excelente

Se a ideia é almoçar em frente ao mar todos os dias, prepare-se para falir. Bares e restaurantes localizados na orla oferecem pratos para duas pessoas entre R$ 50 e R$ 80. O preço médio de uma lata de refrigerante é de R$ 4. Claro que a qualidade das refeições compensam o valor, geralmente com frutos do mar frescos ou carnes grelhadas. É possível encontrar opções mais baratas em estabelecimentos que ficam na vila da Primeira Praia. Por lá encontram-se almoços por até R$ 20. A opção mais barata é comprar comida em minimercados e cozinhar, caso esteja hospedado em algum lugar que ofereça cozinha.

Aproveite a noite

Como estamos falando do inverno, as opções de entretenimento à noite limitam-se em relação ao verão. Porém, ainda existem diversos locais  legais para passar o tempo em que não é possível surfar. Oito em cada dez bares e restaurantes oferecem música ao vivo, principalmente os que estão localizados à beira-mar. O clima, iluminação e decoração tornam estes ambientes muito aconchegantes.

Para quem quer se estender noite à dentro, a cada dia da semana tem, pelo menos, uma festa diferente. Luaus também rolam, principalmente segundas e quintas-feiras. O sábado é quando acontece a principal festa da ilha, na Toca do Morcego. O pico fica no alto do morro, com uma vista incrível para o mar. O som que toca é o eletrônico. Além da presença dos locais da cidade, a predominância é maciça de gringos dos quatro cantos do planeta. O preço é R$ 70, mas, se conhecer algum morador da ilha, pode conseguir um bom desconto. Também é possível curtir o pôr-do-sol no local, de graça.

Ondas de todos os jeitos, para todos os gostos

Existem, basicamente, três picos onde quebram ondas no Morro de São Paulo. No canto esquerdo da Primeira Praia funciona uma rápida esquerda de beach break. A vala quebra muito próximo a uma grande pedra que permanece exposta na maré cheia e vazia. Por ali surfam os garotos locais da ilha. A onda, que pode chegar a 4 pés, favorece a quem gosta de aéreos.

No canto direito, ai sim, rolam as principais ondas da região. A bancada de coral serve como trilho para que longas direitas quebrem com perfeição, podendo chegar aos 6 pés. Na maré seca é possível encontrar alguns tubos. Lembra Snapper Rocks, na Gold Coast australiana. É preciso tomar cuidado com algumas pedras que costumam ficar expostas neste horário. Na maré cheia as ondas ganham tamanho e ficam mais gordas e manobráveis. Lembra Bells Beach, também na Austrália. Para chegar nos dois picos, basta remar pelo meio da praia, onde não quebram ondas. Fácil, fácil...

Os outros locais que funcionam ficam na Quarta Praia. Por lá existem diversos secrets. Geralmente são surfados apenas pelos locais. Por ficar mais de frente para o mar aberto, costuma apresentar ondas ainda maiores que os outros picos.


É obvio, mas cabe frisar: respeite os locais

Existe localismo no morro, e bastante. Não podemos generalizar. A maioria dos locais respeita os turistas quando são respeitados. Outros não. Em todo caso, é sempre bom ficar na sua e jamais rabiar alguém. Antes de entrar na água pela primeira vez, é interessante conversar com alguém sobre o pico. Afinal, existem pedras traiçoeiras que podem lhe trazer problemas se você não tem conhecimento sobre elas.

Pouco crowd e ondas constantes

Em dias de boas condições, o outside chega a receber até 20 surfistas, não mais do que isso. É um número baixo, comparado às outras praias brasileiras do sul e sudeste. A constância das ondas no período de julho a setembro é impressionante. No principal pico, o canto direito da Primeira Praia, sempre rolam boas ondas. Mesmo com o mar pequeno, a extensão das valas seguem longas e manobráveis. Algumas podem abrir por mais de 30 segundos.

Estude a maré

Assim como outras praias do nordeste, a maré muda rapidamente no Morro de São Paulo. Olhar as condições do mar às 13hs e deixar para entrar na água às 15hs, por exemplo, pode ser um erro grave. É bom sempre checar os horários em sites especializados de quando a maré se encontra mais cheia e vazia. 

Não deixe de:
Pular na tirolesa: Os R$ 30 mais bem pagos da ilha. São 340 metros de comprimento sobre 57 metros de altura. A vista é a mais bonita do morro, assim como a adrenalina é a mais intensa entre todas as atividades.

Fazer o passeio de volta à ilha: R$ 70 em um passeio de barco pelas mais belas praias da região. Leve - e use - protetor solar.

Mergulhar: Existem diversas piscinas naturais por lá. A água é cristalina, perfeita para mergulhar durante a maré seca. R$ 10 é o preço do aluguel do snorkel.

Conhecer a história do lugar: Morro de São Paulo foi uma das primeiras regiões a receber os navegadores portugueses no século XVI. Por conta disto, existem inúmeras construções históricas como fortes, igrejas e casarões.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Post Top Ad