» » Esportes não Olímpicos sofrem com falta de patrocínio

Faltando pouco mais de dois anos para a realização das Olimpíadas no Brasil e já se começa a discussão sobre a preparação dos atletas brasileiros que vão participar, como também sobre o legado, que foi a maior justificativa para a realização do grandioso evento esportivo internacional. Se as coisas não saíram conforme o combinado para o esportes olímpicos, a situação é muito mais grave para os esportes que não vão participar das olimpíadas.
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Por: Miguel Brusell

A falta de patrocínio e apoio deixará como legado um vácuo de eventos e, consequentemente, atletas e ídolos, peças fundamentais para a engrenagem que move novos praticantes para a procura das atividades esportivas.

Por falta de apoio e patrocínio, a Federação Baiana de Jiu Jitsu (FBJJ) não realizará o Bahia Open, evento internacional da modalidade, que estava marcado para o dia 24 de Novembro."Um evento internacional requer recursos. Resolvemos não realizar, este ano, para evitar que o evento seja mal organizado, com falhas que prejudicariam a imagem do esporte. Entramos em contato com a Confederação Brasileira e adiamos para Maio de 2014, a realização de um grande evento internacional, que pode ser o Bahia Open, um Sulamericano ou Panamericano", revela o sensei Ricardo Carvalho, presidente da FBJJ.

Segundo o sensei, um evento internacional tem grande importância para o desenvolvimento do esporte em nível local. "O atleta não precisa se deslocar parta disputar um evento internacional. Além disto, tem a divulgação, que atrai novos atletas que passam a adotar o esporte como forma saudável de vida", acredita.

O sensei acredita que a dificuldade para arranjar patrocínio se tornou maior para os esportes que não são Olímpicos. "Ficamos em segundo plano e isto deve ser observado pelas grandes empresas. Mesmo não sendo Olímpico, o esporte traz muito benefício não só para os atletas como também para a sociedade. O esporte é saúde, é vida e se você tiver apoio, tem uma sociedade saudável, uma sociedade melhor", acredita.

Surf frita o porco na própria banha

Situação semelhante vive o surf, que já viveu anos dourados e enfrenta, atualmente, uma das piores crises nos seus mais de 40 anos de prática nos diversos picos baianos. Apesar de ter um evento internacional, que este ano foi disputado no balneário de Itacaré, no sul do estado, a Federação Baiana de Surf encontrou muitas dificuldades para a realização do circuito de eventos que define os campeões profissionais e amadores do Estado.

"Só conseguimos definir o campeão estadual profissional utilizando a estrutura do Campeonato Internacional, que foi realizado recentemente, em Itacaré. Para definir os campeões amadores, neste final de semana, na Ilha de Itaparica, teremos que utilizar o que sobrou como fundo de caixa da FBSurf das inscrições do evento de Itacaré", revela o presidente da entidade, Armando Daltro.

Segundo o presidente, apesar dos esforços, as dificuldades para se conseguir patrocínio são grandes. Reflexos da crise também atinge a imprensa especializada que enfrenta momentos difíceis. "Nos últimos dois anos, perdemos uma grande quantidade de patrocinadores e a justificativa é sempre a mesma, as dificuldades do mercado. Com muitas empresas, não conseguimos renovar os contratos de patrocínio após o termino, mas também ocorreram casos de empresas que pediram para encerrar antes do previsto por dificuldade financeira", afirma João Carlos, diretor comercial do SurfBahia, o principal veículo especializado do Estado.

Segundo o jornalista, o mercado sofre uma paralisia causada pela crise. "Parece que todos empresários adotaram o corte de gastos como forma de sobreviver à crise". E é exatamente aí que mora o problema. O empresário brasileiro não enxerga o patrocínio de eventos como um investimento, uma forma de fomentar o esporte, enfrentando a crise de frente e, sim, como um gasto que deve ser feito quando a empresa está bem financeiramente.

Sobre os autores:

Gabriella Simões fez Fotografia Digital no Sesc e é associada a Arfoc/Brasil através da Arfoc/BA. Miguel Brusell é formado em Comunicação Social na UFBA, tem pós em Gestão de Informações para Multimeios na FTC e bloga desde 2003.
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